Um desses .republicanos foi
Eduardo Lopes de Oliveira, coronel da Guarda Nacional e
seguidor do padre Feijó, que havia sido preso em
Sorocaba, em 1842. Instalou-se na região por volta de
1843, com seus seguidores, numa propriedade denominada
Fazenda Avaré, também conhecida como Fazenda Velha ou
Fazenda dos Lopes.
EDUARDO LOPES DE OLIVEIRA
A Revolução Liberal de 1842,
que questionava o poder do imperador e pregava a
república, teve seu centro de ação em Sorocaba, com a
liderança do paulista padre Diogo Antônio Feijó
(1784-1843). A revolta, sufocada pelo então barão,
depois Duque de Caxias, foi muito eficaz. Feijó foi
preso, processado por seus colegas de Senado e exilado
em Vitória, no Espírito Santo. Aqueles que
compartilhavam seus ideais, com medo de represálias,
fugiram para o interior do País, onde era mais difícil
de serem encontrados pelas forças militares imperiais.
Eduardo
Lopes de Oliveira, já coronel da Guarda Nacional,
seguido de alguns liderados, escondeu-se das forças
legalistas perto da Serra de Botucatu. Tomou posse, na
região onde hoje é a cidade de Itatinga, nos vales dos
rios Santo Inácio e dos Veados, de uma fazenda que
denominou Avaré, palavra da língua tupi-guarani que
significa solitário.
Firme em
suas idéias republicanas, ele acreditava que a República
era a forma de o Brasil se livrar da exploração que
sofria de Portugal e da Inglaterra. Essas idéias o
levaram a colidir com os monarquistas da cidade, que
chamavam os republicanos de "farrapos", porque eram
fugitivos da Corte. Em troca, os republicanos chamavam
os monarquistas de "cascudos", em alusão à inglória
submissão em que Viviam.
Derrotado
em sucessivas eleições locais, conseguiu a vitória em
1891, após a Proclamação da República. Naquele ano, foi
criado o Conselho de Intendência e ele foi escolhido o
primeiro intendente, cargo equivalente ao de prefeito
hoje, já que durante a monarquia era o presidente da
Câmara que exercia as funções administrativas.
Foi por
solicitação do coronel Eduardo Lopes que Rio Novo se
tornou cidade, tendo o nome trocado para Avaré. A
mudança tem vários significados. Por um lado, marca a
vitória dos republicanos sobre os monarquistas. Além
disso, ao dar o nome de sua fazenda ao município, o
coronel mostrou a abrangência de seu poder.
Lopes
também influenciou na criação do município de Itatinga,
separando-o de Avaré. Aliás, foi justamente em sua
fazenda, localizada em Itatinga, que ele faleceu, em
1923.
Ficaram
famosos os conflitos políticos entre o republicano
Eduardo Lopes e a matriarca mineira Bárbara Fé do
Nascimento, prima de Domitila de Castro Canto e Mello, a
Marquesa de Santos, amante do imperador d. Pedra L
Chamada de "Mandona", proprietária de numerosos escravos
e animais, possuía terras que se estendiam pelas duas
margens do Paranapanema, desde o Rio dos Veados até as
terras do "Alto da Serra", o chamado espigão de Avaré.
Bárbara tinha tanto poder que, quando houve um surto de
tifo na cidade, o próprio ministro da Saúde esteve no
Rio Novo a fim de comandar os trabalhos para debelar o
mal. o confronto político entre os republicanos
liderados pelo coronel e os monarquistas, com Bárbara à
frente, durou aproximadamente três décadas. Quando, em
1891, Eduardo Lopes venceu as eleições, saiu de sua
fazenda e mudou-se para a cidade, colocando-lhe o nome
de sua propriedade provavelmente para apagar mais
depressa da memória pública local as lembranças da
matriarca e seu séquito monarquista.