O Coronelismo

Sistema de dominação política de caráter patriarcal baseado no poder local de grandes proprietá­rios rurais, o coronelismo é um dado forte em Avaré. A patente "coronel" surgiu em 1831, com a criação da Guarda Nacional, e era atribuída como título honorífico aos fazendeiros mais ricos e influentes.

Embora tenha começado no Império, o sistema do coronelismo atingiu seu apogeu na Primeira República, de 1889 a 1930, quando o governo estadual e federal se apoiavam nas oligarquias regio­nais dos coronéis, que dominavam as terras e os votos dos trabalhadores que nelas atuavam, fosse como agregados, meeiros ou colonos.

Como a agricultura sempre foi um ponto forte da economia de Avaré, os coronéis tiveram, ao lado dos trabalhadores imigrantes, um papel essencial no desenvolvimento da cidade. Na Primeira República, conhecida como a época do "café-com-leite", produtos, respectivamente ligados aos Esta­dos de São Paulo e Minas, que se alternavam no poder, os coronéis Edmundo Trench e João Baptista da Cruz predominaram na cidade.
 

 

Festa de São Sebastião em 1904

     
 

Trench contabilizou construções importantes, como o Mercado Municipal e o primeiro Grupo Escolar. João Cruz, por sua vez, destacou-se, no primeiro quarto do século XX, por ter sido figura fundamental durante a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores.

CORONEL EDMUNDO TRENCH

Edmundo Trench Júnior foi o último intendente e o primeiro pre­feito de Avaré. O pai, pernambucano, farmacêutico e contador, e a mãe, austríaca, criada na Alemanha, conheceram-se e casaram-se no Recife. Mudaram-se depois para São Paulo e Sorocaba, onde Edmundo nasceu, em 1868.

Quando Trench_ atingiu a idade escolar, sua família passou a mo­rar em Itapetininga, onde Edmundo estudou música, chegou a tocar sa­xofone na banda local e se casou. Em 1887, dois anos após o casamento, mudou-se para Avaré, onde comprou a Fazenda Santa Adelaide, de café, e mais tarde a Fazenda Três Saltos, conhecida como Fazendinha, além de uma casa residencial no centro da cidade.

Trench sempre participou da vida social e econômica, integrando, por exemplo, a comissão encarregada da construção da nova matriz. Escolhido intendente em 1905, no ano seguinte, com a extinção da função, foi eleito primeiro prefeito. Construiu o Largo São João, contratando dois paisagistas italianos que vieram de São Paulo para implantar o jardim, um dos mais famosos cartões de visita da cidade.

Outra luta importante foi a da criação do primeiro Grupo Escolar na cidade. Ele foi oficialmente estabelecido em 1905, mas o prédio só ficou pronto no ano seguinte, graças ao apoio da Câmara Munici­pal, ocorrendo a inauguração apenas em 1906, num momento de grande orgulho para a comunidade.

Eleito novamente prefeito em 1910, Trench, ao fazer uma viagem de rotina para São Paulo, desapareceu misteriosamente, sem deixar rastros. Há suspeitas de que tenha sido seqüestrado e morto por rivais políticos.

 
     
 

Coronel João Cruz
 

 
 

CORONEL JOÃO CRUZ

José da Cruz Araújo chegou à antiga Rio Novo em 1875, pro­cedente de Porto Feliz, com a família. Formou a Fazenda São José e nela construiu um grande sobrado e uma capela. Gostou tanto da região que, indo a Botucatu, convenceu o amigo e compadre Fran­cisco Xavier de Almeida Pires a também adquirir uma fazenda na região. Ele aceitou o convite e comprou a propriedade, mas só se mudou para Rio Novo em 1880.

João Baptista, filho mais velho de José, tinha três anos quando foi para Avaré. Passou na cidade a infância e a juventude. Foi ele que, já coronel, juntamente com o comendador Antonio Augusto Men­des Borges, Benedito Martins Brisola, Antonio Gomes de Oliveira, coronel Átila de Almeida Ramos e outros, fundou a Santa Casa de Misericórdia de Avaré, em 1904.  

Foi eleito, no ano seguinte, vereador, e, em 1912, recebeu o título honorífico de Benemerência pela contribuição para a fundação e construção do prédio da Casa Pia de São Vicente de Paulo, que passou a funcionar como hospital. Filiado ao Partido Republicano Paulista foi também, por várias vezes, presidente da Câmara Municipal. Já idoso, em 1932, não podendo ir para os campos de batalha onde os paulistas, na Revolução Constitucionalista, lutavam contra as forças que haviam vencido a Revolução de 1930, permitiu que seus colonos se alistassem e, durante todo o perío­do em que estiveram afastados de suas funções, garantiu o pagamento dos salários integrais às respec­tivas famílias, assegurando suas vagas quando retomassem do conflito.

O coronel João Cruz também teve papel fundamental na criação do primeiro curso ginasial em Avaré, um dos primeiros do Estado, em 1935. O reconhecimento veio em 1946, quando a escola recebeu seu nome. O velho coronel manteve-se ativo na política até os últimos anos de vida. Presi­dente do diretório do Partido Constitucionalista até o golpe de Estado de 1937, que levou Vargas ao poder e implantou o regime ditatorial do Estado Novo, faleceu em Avaré, em 30 de junho de 1939.

 
 

 

 
 

Fonte: Conto, canto e encanto com a minha história - Avaré Terra do Verde, da Água e do Sol