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O Desenvolvimento
Na segunda metade do século XIX,
diversos fatores contribuíram para o desenvolvimento de
Avaré. Um deles foi a Lei de Terras, de 1850, pela qual o
governo imperial suspendia as doações de terras dadas pelos
governadores-gerais. Desse modo, as terras tinham de ser
compradas e vendidas, abrindo oportunidades para a
dinamização da economia.
Além disso,
com a abolição da escravatura, em 1888, e o incentivo à
imigração, Avaré ganhou novas dimensões econômicas e
sociais. Chegaram à cidade centenas de famílias italianas,
com trabalhadores que iriam substituir a mão-de-obra negra
nas lavouras de cana-de-açúcar, algodão e café.
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Além de agricultores, a
imigração permitiu a entrada no País de artesãos de
talento e de outros profissionais, que expandiram sua
capacidade e implantaram, com êxito, a urbanização de
Avaré. A chegada de imigrantes portugueses, espanhóis,
armênios, sÍriolibaneses e, por último, japoneses
consolidou o crescimento da cidade.
Um nome
importante nesse processo é o do alferes Manoel'
Marcellino de Souza Franco, o Maneco DionÍsio. Negava-se
a chamar a cidade de Avaré, preferindo o nome antigo de
Rio Novo por causa de seus ideais monarquistas. Seu
principal mérito foi ter desenvolvido uma persuasiva
campanha nas páginas do. periódico O Rio-Novense para
que a Estrada de Ferro Sorocabana alterasse seu trajeto
inicialmente previsto e passasse pela cidade.
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DECRETO NQ 180, DE 29 DE MAIO DE 1891
Eleva a villa
do Rio Novo à categoria de cidade com a denominação de -
Cidade do Avaré.
O Governador do Estado, no exercício da atribuição conferida
pelo parágrafo 12 do art. 22 do decreto n2 7, de 20/11/1889,
tendo em vista o que representou a intendência do Rio Novo.
Decreta:
Artigo 12 -
Fica elevada a villa do Rio Novo à categoria de cidade, com
a denominação de - Cidade do Avaré - conservando as atuais
divisas.
Artigo 22 - Revogam-se as disposições em contrário.
Palácio do Governo do Estado de São Paulo, em vinte e nove
de maio de mil oitocentos e noventa e hum. América
Braziliense de Almeida Mello |
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ESTRADA DE FERRO SOROCABANA
Fundada em 1871 com o objetivo
de ligar a cidade de São Paulo a Sorocaba, a Estrada de
Ferro Sorocabana (E.F.S.) extrapolou seus objetivos
iniciais. Integrou a Capital à região sul do Estado de São
Paulo, o Estado ao Sul do País, promoveu a colonização do
Paraná e desafiou o monopólio do acesso ao Porto de Santos,
dominado pela empresa inglesa São Paulo Railway. Ela foi
muito importante na primeira metade do século XX, quando as
ferrovias tinham um papel fundamental no interior
paulista. Encampada pelo Estado em 1919, após experiências
desastrosas com administrações privadas, a E.F.S. assumiu o
controle de diversas ferrovias deficitárias. Em 1971, a
Sorocabana, com a criação da Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa),
fundiu-se com outras empresas. Dezessete anos depois, a
própria Fepasa foi privatizada, formando a Ferrovia
Bandeirantes S.A. (Ferroban).
Maneco Dionísio é, de fato, o
elo entre as origens do Rio Novo e a luta propulsora para
que Avaré se consolidasse como um importante centro
político do Estado. A desejada ferrovia chegou à cidade em
31 de março de 1895 e trouxe o ambicionado desenvolvimento
no final do século XIX.
Além de ter sido mestre-escola,
secretário da Câmara Municipal, editor de jornais e
almanaques, estudioso da memória regional, fundador do
Gabinete iterário, da Irmandade de Nossa Senhora das Dores,
da Sociedade de São Vicente de Paulo e do Instituto
Histórico e Geográfico de São Paulo, Maneco, em 1904, foi
escolhido para presidir o Banco de Custeio Rural,
tornando-se banqueiro, numa vida repleta de facetas. |
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MANECO
DIONÍSIO
O alferes Manoel Marcellino de Souza Franco, o Maneco
Dionísio, como era chamado, revelou numerosas facetas,
todas igualmente interessantes. Foi professor, escritor,
jornalista, historiador, tabelião, advogado, agricultor,
presidente da Sociedade de São Vicente de Paulo, secretário
da Câmara, pesquisador, chefe político e presidente de
banco, tendo uma vida que se confunde com a da cidade.
Maneco
Dionísio nasceu em Limeira, SP, em 1851. Casou-se, não teve
filhos, mas deixou em torno de 500 afilhados. Foi para a
atual Avaré em 1864, quando existiam na região somente a
Capela do Major e uma dúzia de casas) cobertas de sapé,
palha e taquara.
Foi o
primeiro professor particular da região. Em 1867 integrou a
junta que administrava os bens da Capela de Nossa Senhora
das Dores. Na década de 1870, nas lutas entre os
conservadores ("cascudos") e os liberais ("farrapos"),
Maneco
Dionísio
liderou os primeiros. Em 1876, quando foi instalada a
primeira Câmara Municipal, ele foi ( primeiro secretário.
Com O estabelecimento, naquele mesmo ano, do primeiro
Tribunal do Júri, ele foi o primeiro escrivão.
Seu grande
projeto, porém, foi conseguir que a Estrada de Ferro
Sorocabana desviasse seus plano iniciais e passasse por
Avaré. O sucesso nessa empreitada lhe garantiu um lugar na
história da cidade, que deve à chegada dos trilhos boa parte
de seu progresso posterior.
Em 1892,
Maneco passou por um momento difícil. Foi obrigado a se
exilar em Botucatu e em São Paulo após sofrer ameaças de
republicanos. Ficou cinco meses fora, e quando retomou, teve
uma recepção triunfal: mais de 800 pessoas, 500 delas a
cavalo, saudaram-no ao longo de 15 quilômetros.
Oito anos
depois, como fundador do Instituto Histórico e Geográfico de
São Paulo, participo da Grande Exposição Universal em Paris,
em 1900, sendo inclusive recebido pelo Papa Leão XII Quatro
anos depois, por ser um dos maiores agricultores do
município, foi eleito presidente do Bar co de Custeio Rural.
Em 1911,
ainda militava na política como chefe do Partido Civilista
em Avaré. Nos anos 1921 porém, foi acometido de esclerose
cerebral, com perda gradativa de memória, o que o levou a
ficar totalmente amnésico e a falecer em 23 de maio de 1930,
em Avaré; ou melhor, atendendo a seu pedido, fiel ao
monarquismo, em Rio ovo, que tanto ajudou a desenvolver. |
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Fonte: Conto,
canto e encanto com a minha história - Avaré Terra do Verde,
da Água e do Sol
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